PET no Brasil: um panorama do mercado que está por toda parte

Reciclagem mecânica de plásticos bate recorde de empregos no Brasil

setembro 18, 2026

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PET no Brasil: um panorama do mercado que está por toda parte

O PET (politereftalato de etileno) está nas garrafas de água, óleo e refrigerante, e também em uma parte cada vez maior de peças automotivas, carpetes e fibras têxteis. É um dos plásticos mais usados no país e, ao mesmo tempo, o mais reciclado. Entender o tamanho desse mercado ajuda a enxergar por que ele desperta tanto interesse de fabricantes de bebidas a cooperativas de reciclagem.

Um setor que já opera em grande escala

A produção brasileira de resina PET virgem chegou a 807 mil toneladas em 2025, repetindo o patamar do ano anterior, depois de um salto de mais de 11% em 2024, segundo a Abipet. A capacidade instalada no país é ainda maior: supera em cerca de 38% a demanda anual, que soma pouco mais de 1 milhão de toneladas. Essa folga estrutural, de produzir mais do que se consome, é o que garante estabilidade de fornecimento mesmo em anos de menor crescimento econômico.

Onde o PET aparece no dia a dia

Poucos materiais têm domínio tão evidente em categorias específicas. O PET está presente em mais de 95% das embalagens de água mineral e óleo comestível vendidas no Brasil, além de responder por cerca de 70% das garrafas de refrigerante. Fora das prateleiras do supermercado, o material também ganhou espaço na indústria automotiva, em carpetes e forrações de veículos, e no setor têxtil, como fibra para fiação. O Nordeste concentra uma fatia relevante desse consumo, puxado principalmente pelos setores de bebidas e alimentos.

A reciclagem que virou referência internacional

Se há um ponto em que o PET se diferencia dos demais plásticos, é a reciclagem. Em 2024, o Brasil reciclou cerca de 410 mil toneladas de embalagens PET pós-consumo, um novo recorde, colocando o país à frente de boa parte dos mercados desenvolvidos nesse indicador. Quase metade de todo esse material reciclado volta para a fabricação de novas embalagens, no modelo bottle-to-bottle, em que a garrafa usada retorna ao mercado como uma nova garrafa. O restante alimenta setores como têxtil, lâminas, chapas e fitas de arquear.

Preço: o fio que conecta virgem, reciclado e importação

O equilíbrio desse mercado depende de um detalhe simples: o preço do PET reciclado precisa acompanhar de perto o da resina virgem. Levantamentos do setor mostram que sobrepreços de 10% a 15% no material reciclado já são suficientes para reduzir a demanda por ele, afetando também a renda de catadores e cooperativas que sustentam a base da cadeia de coleta. É nesse contexto que as importações de resina virgem entram na conversa: quando chegam ao país por valores mais baixos, pressionam esse equilíbrio, o que levou o governo a aplicar, ao longo de 2026, medidas de defesa comercial para conter distorções de preço vindas de alguns países fornecedores.

Por exemplo: desde 2016, o Brasil aplica direitos antidumping sobre resina PET virgem vinda da China. A medida foi renovada em 2022 e segue valendo até novembro de 2027. Na prática, empresas chinesas pagam uma sobretaxa para vender o material aqui, o que reduz a distância de preço em relação à resina produzida internamente.

Esse tipo de proteção existe porque, em alguns casos, o produto chega ao Brasil por um valor artificialmente baixo, menor do que o praticado no mercado de origem ou do custo real de produção, o que prejudica os fabricantes nacionais e distorce a concorrência.

Um mercado maduro, mas em movimento

O PET reúne uma combinação pouco comum entre os plásticos: escala de produção consolidada, presença dominante em categorias inteiras de embalagem e um sistema de reciclagem reconhecido internacionalmente. É esse conjunto que explica por que o material segue central tanto para quem fabrica quanto para quem recicla, além de ajudar a entender por que pequenas variações de preço ou de política comercial repercutem em toda a cadeia.

Fontes: https://movimentoeconomico.com.br/economia/industria-empresas/2026/04/07/setor-de-pet-equilibra-crescimento-mesmo-com-atividade-mais-fraca/

https://niddedigital.com/embalagem-pet-amplia-vantagem-competitiva-com-reciclagem-consolidada-inovacao-e-alinhamento-as-novas-exigencias-regulatorias/



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