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outubro 9, 2026Reciclagem de plásticos no Brasil: um mercado que cresce e começa a mudar de fase
Quando um pote de sorvete ou uma garrafa vai para a coleta seletiva, começa uma cadeia que envolve catadores, cooperativas, indústrias de reciclagem e fabricantes de embalagens. Essa cadeia movimenta bilhões de reais por ano no Brasil e está entrando em uma etapa nova, com regras mais claras e mais exigências. Entender o que está acontecendo ajuda a ver para onde o setor caminha.
Um setor que segue crescendo
O relatório mais recente encomendado pelo Movimento Plástico Transforma à consultoria MaxiQuim mostra que o faturamento da reciclagem mecânica de plásticos cresceu 5,3% em 2025 e chegou a R$ 4,218 bilhões. A reciclagem mecânica é o processo em que o plástico usado é triturado, lavado e derretido para virar matéria-prima de novos produtos.
O crescimento acontece mesmo num período difícil. Nos últimos anos, o plástico novo, produzido a partir de petróleo, ficou barato no mercado mundial por causa do excesso de oferta, e isso reduz o interesse da indústria pelo material reciclado. Ainda assim, o setor avançou e passou a ocupar um lugar mais relevante na economia, inclusive na geração de empregos.
O que o Decreto 12.688/25 muda
Publicado em outubro de 2025, o decreto cria um sistema de logística reversa para embalagens plásticas. Na prática, quem fabrica, importa, distribui e vende produtos embalados em plástico passa a dividir a responsabilidade pelo destino dessas embalagens depois do consumo.
O ponto central é a meta de conteúdo reciclado pós-consumo, conhecido pela sigla PCR. Ela determina que as embalagens plásticas colocadas no mercado tenham uma parte de material reciclado em sua composição, e esse percentual aumenta de forma gradual ao longo dos anos. Com isso, a indústria de embalagens passa a ter motivo para procurar o material reciclado, e deixa de depender apenas da vontade de cada empresa.
Mais demanda traz mais exigência
Uma meta de uso cria demanda garantida, mas também eleva o nível de cobrança sobre quem fornece. A indústria que compra plástico reciclado precisa de volume constante e de um material com qualidade padronizada, porque uma embalagem não pode variar de cor, resistência ou cheiro de um lote para outro.
Isso empurra as recicladoras a investir em tecnologia, melhorar processos de lavagem e separação e comprovar a origem do que vendem. É o que o mercado chama de profissionalização: menos improviso e mais controle em cada etapa.
Os desafios que ainda pesam
O primeiro desafio está na base da cadeia. A qualidade do plástico reciclado depende da qualidade do que chega às recicladoras, e para isso é preciso mais coleta seletiva, mais separação correta nas casas e mais estrutura nas cidades. Hoje, o índice de reciclagem mecânica das embalagens plásticas pós-consumo é de 24,4%, segundo dados de 2024 do Plástico Transforma, o que mostra que a maior parte ainda não volta para a cadeia.
O segundo desafio é a situação das cooperativas. Elas são parte essencial da coleta, mas a baixa remuneração do material faz com que percam espaço para intermediários e enfraqueçam sua força de trabalho. Sem fortalecê-las, o setor corre o risco de não ter material suficiente para atender às novas metas.
O terceiro é o preço. Enquanto o plástico novo estiver barato, o reciclado terá dificuldade de competir. A Fiemg, federação das indústrias de Minas Gerais, aponta ainda que o material reciclado é pouco valorizado, que a fiscalização é desigual e que faltam sistemas eficientes de rastreamento, pontos que serão decisivos para as metas funcionarem na prática.
O que esperar daqui para frente
A expectativa é de um mercado mais estruturado, com recicladoras maiores, mais investimento em qualidade e uma relação mais próxima entre quem recicla e quem fabrica. A tendência é que o material reciclado deixe de ser visto como alternativa e passe a fazer parte do planejamento das empresas.
Para quem não trabalha com plástico, a mudança aparece de forma gradual, em embalagens que passam a levar parte de material reciclado e em uma cadeia que valoriza mais o que antes era descartado. O resultado dependerá de como coleta, indústria e poder público vão atuar juntos nos próximos anos.
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